O que é suficiente?
Um dia, ouvi a Bella Falconi em um podcast dizendo que todo equilíbrio começa com um desequilíbrio. Ela usava o exemplo da dieta e do exercício físico: no início, tendemos a ser exagerados, adotando uma postura de tudo ou nada para atingir nossos objetivos. Com o tempo, aprendemos a encontrar o ponto de equilíbrio entre esses extremos. Isso fez muito sentido para mim. É como devorar um livro novo só para saber o final, assistir a cinco episódios de uma série de uma vez para depois ver um por semana, ou no início de um namoro, quando queremos ver a pessoa todos os dias. É como quando conhecemos Jesus e queremos contar para todo mundo, até que, com o tempo, encontramos um fluxo equilibrado.
Acho que estou nessa fase de iniciar pelo desequilíbrio para tentar encontrar o equilíbrio novamente. Estou fora das redes sociais há quase um mês e não tenho data para voltar. Desinstalei o Instagram e estou vivendo como na adolescência, quando ainda não havia Facebook. Fiz isso porque, embora não fosse viciada no Instagram nem consumisse tanto conteúdo, eu produzia muito. Esse tempo de produção roubava parte da minha vida. Além do tempo para editar e postar, eu sempre pensava, enquanto vivia o momento, em como seria um bom vídeo. Isso se tornou cansativo para mim. Eu me cobrava pela frequência das postagens, pela qualidade dos vídeos e por várias outras coisas. Muitas pessoas podem culpar o início do meu namoro, e estão certas. Comecei a namorar e a vontade de gravar diminuiu drasticamente. Vivi uma luta interior, questionando se não estava acabando com minha vida social por causa do namorado. Não queria ter aquele histórico de “fulano começou a namorar e largou todo mundo”.
A verdade é que comecei a postar no Instagram porque, nas viagens sozinha, queria compartilhar minha vida com alguém, mostrar as coisas incríveis que estava vivendo. Hoje, com meu namorado, faço isso instantaneamente. É tão legal compartilhar com alguém que você ama. Eu sabia que seria bom, mas não imaginava que seria tão bom. Quando estou sozinha, a novidade é pelo lugar; quanto mais diferente e lindo, maior a emoção. Com meu namorado, não importa tanto o lugar, mas como nós dois conseguimos aproveitar. Quantas horas de conversa trocamos na estrada, o quanto aquela paisagem nos toca. É uma aventura diferente, e os momentos mais lindos são impossíveis de transmitir em um vídeo espontâneo de 15 minutos. Porque, apesar dos lugares serem incríveis, a beleza não está no lugar, mas no que estamos vivendo juntos.
Outro fator muito importante que me fez sair das redes sociais é a comparação. É quase impossível não comparar ou desejar a vida das pessoas. Apesar de estar vivendo algo maravilhoso, eu sempre queria mais. Queria aprender mais porque via vídeos de pessoas tão inteligentes em certos assuntos que gostaria de saber com profundidade, mesmo não sendo minha área de atuação. Queria comprar várias coisas que achava lindas na vida das pessoas, e essas coisas às vezes não são uma blusinha de 10 reais, mas perfumes, cremes, bolsas, roupas, corpos, casas, carros, trabalhos, a vida de outras pessoas. Essas comparações e desejos me faziam querer mais, e esse querer mais me desviava do que eu era, do que realmente gostava e do que era suficiente para mim. Atrelava minha felicidade à vida de outras pessoas e não ao que realmente me faria feliz. Precisei parar um tempo para ver o que era importante para mim, o que era suficiente, o que me fazia feliz.
Gosto muito de ouvir podcasts, e muitos influenciadores, principalmente os que têm essa pegada de filosofia e sociologia, estão criando comunidades de pessoas que se identificam com os temas que eles falam, criando uma rede de apoio. Acho que ouvir e ver demais a vida de outras pessoas nos faz perder a noção da nossa própria vida. Buscamos nossa verdadeira identidade comparando nossa realidade com uma sinopse da vida de muita gente. Ficamos perdidos, e acredito que isso nos faz perder nossa própria identidade. Na ânsia de querer encontrar, nos perdemos em meio a tantos vídeos e telas. A comunidade é algo legal, um filtro para colocar nesse tanto de opções, visões e vidas alheias. Acho que é por isso que faz sucesso e tem muita gente ganhando dinheiro com isso.
Descobri, nesse caminho que ainda estou trilhando, que Jesus é suficiente para mim. Ele precisa ser a base de tudo na minha vida. Estou definindo outros complementos que são importantes, como o que é o básico que funciona, o que é a definição de dinheiro, o que é sucesso e quanto estou disposta a persegui-lo. Acho que a segunda e principal descoberta é que podemos ser felizes com muito pouco.
