Acordei vendo umas fotos antigas no Instagram e percebi quantas eu nunca postei. Tanta história, tanta beleza, natureza, amizade, vida, arte, bondade e graça…
Uma das minhas fotos favoritas do começo dessa jornada foi em Bombinhas. Uma amiga do hostel me chamou para assistir ao amanhecer. Acordamos cedinho e fomos para a praia. O céu estava um pouco nublado, e pensei que não seria “aquele” nascer do sol, sabe? Mas ela era fotógrafa e começou a registrar os estágios da manhã enquanto eu caminhava sozinha pela areia, refletindo sobre a vida.
De repente, ela começou a tirar fotos minhas. O vento no meu cabelo, meu caminhar leve, meu coração grato por aquele sol que começava a surgir em meio às nuvens. E, sem que eu percebesse, surgiu uma das minhas fotos preferidas: natural, espontânea, feliz.
Naquele período, eu vinha de transições difíceis no trabalho, dias pesados de pandemia, muitas sessões de terapia e longas orações. Em Bombinhas, naquela cidadezinha litorânea, vivi uma aventura. Descobri a leveza de viajar sem data pra voltar. Caminhadas longas de manhã, conhecer novas pessoas todos os dias, ouvir e contar histórias (foi ali que recebi o apelido de “jornalista” e criei o GabiCast!).
Foi nessa viagem que fiz minha primeira trilha sozinha — e, para uma mulher, isso tem um peso grande. Senti a adrenalina da liberdade. E percebi que viajar sozinha não é sinônimo de solidão. Fui rodeada de pessoas desconhecidas que pareciam amigas de infância. Toda noite tinha um programa: restaurante à beira-mar, bar na esquina, macarronada no hostel ou violão na praia tentando acender uma fogueira (sem sucesso, rs).
Descobri que precisava de muito menos do que vinha acumulando. Menos cremes, menos roupas, menos dias planejados, menos peso emocional. Foi como tirar a bagagem e mergulhar no mar com o corpo livre.
Aquela foto capturou isso: o vento que me chamava pra dançar, o sorriso que escapava sem pose, o corpo leve, a alma entregue. Ali, sem pressa, entendi que viver era deixar as coisas acontecerem. Tijolinho por tijolinho. Viagem por viagem. Trilha após trilha. Festa, solitude, arte, fé e graça.
Se me perguntassem qual foi a melhor parte desses dois anos, eu diria: foi deixar acontecer. Foi me permitir sentir frio na barriga em lugares desconhecidos. Foi confiar em pessoas novas, acreditar na bondade, viver intensamente. Se eu tivesse apenas 5 minutos de vida, conseguiria olhar tudo com gratidão.
A gente vive esperando o “melhor momento”, mais dinheiro, mais tempo. Mas, às vezes, o presente é exatamente a resposta das orações do passado.
Eu sempre quis emagrecer (e sigo com a nutri!), mas como eu amo meu corpo ao fim de uma trilha. Amo meus olhos depois de um pôr do sol, meus braços nadando no mar, meu rosto bronzeado depois de um dia feliz. Ame as pequenas coisas que te fazem sentir viva.
Te desejo pausas nessa vida agitada. Mais brunchs e caminhadas na praia. Mais pores do sol, mais vitamina D natural, mais amigos fora da bolha. Mais noites olhando estrelas. Mais trilhas e mais mares de cachoeira. Que você colha frutinhas do pé e enxergue beleza nas coisas simples.
Obrigada pelos nossos 2 anos de gabi.viajante.
E Jesus… obrigada por me mostrar o lado bom da vida. Com você, tudo é perfeito.
